É muito louco como a gente sempre sabe quando uma relação chega ao fim, né?!
Às vezes, não queremos acreditar e lutamos contra a separação.
Outras vezes aceitamos e rompemos, porque é isso que precisa ser feito, buscando encarar a nova realidade com todos os seus alívios e suas dores.
Algumas vezes, temos que lidar com a descrença do outro quanto ao fim, nem sempre é fácil aceitar o fim.
E tem aquelas vezes que a gente só deixa morrer... Vai deixando... Vai deixando... Vai esfriando... E vai morrendo junto aos pouquinhos...
Vai permitindo que o silêncio preencha o espaço das discussões - já não vale mais a pena discutir!
Vai se calando perante aos desconfortos, vai ignorando aquilo que não nos agrada mais, porque já não vale mais a pena insistir!
Às vezes é um detalhe que pretende, um medo de perder a amizade, um medo de perder o conforto da relação estável, um medo de começar de novo, tudo do zero outra vez!
Às vezes é um filho que segura, às vezes é uma dívida (ou melhor, várias dívidas).
Às vezes são os bens materiais, às vezes uma promessa, às vezes é apenas o medo da rejeição e da solidão.
Os anos passam e você vai se perdendo dentro de tantas máscaras que precisa usar dentro de uma relação.
Você deixa de ser você, pra ser vocês, pra ser o conjunto, pra ser a parceria... Mas quando essa parceria acaba, você se olha e não se reconhece mais, e isso dá muito medo!
Toda relação, seja ela amorosa ou não, é uma transformação. O outro, o ambiente, o momento, tudo impacta muito no que somos e no que vamos nos tornar!
E quando chega o fim, você se pergunta: por que acabou? O que faltou?
Será que faltou amor? - Da minha parte não!
Da minha parte houve empenho, houve renúncias, houve mudanças reais (físicas, psíquicas e emocionais), houve poesia, houve entrega genuína, houve emoção, houve playlist apaixonada, houve entusiasmo, houve conexão, houve encaixe sexual, e muita vontade de fazer dar certo!
Mas talvez, o amor tivesse faltado do outro lado, talvez daquela outra parte o amor tenha sido pouco ou inexistente. Foram tantas quebras de promessas, tantas traições, tantos deslizes, tantas ausências, tanta falta de empatia, tantos passos errados... Talvez o que motivou a relação do outro lado tenha sido apenas o lado racional, apenas o filho ou o conforto de não estar sendo julgado pela paternidade indesejada!
Ou talvez nunca tenha sido a falta, que fez a relação morrer, talvez tenha sido o excesso!
Talvez eu tenha me dedicado demais, tenha me empenhado demais, tenha idealizado uma vida ao lado de alguém que simplesmente não queria estar ali. Alguém que aceitou o namoro, aceitou as regras (mesmo não as seguido como deveria), aceitou a gravidez inesperada, alguém que só foi aceitando tudo porque não sabe se posicionar, porque deixa todo mundo decidir por ele, porque é mais fácil assim. É mais cômodo. É menos trabalho!
E é muito louco, ver todo esse meu excesso de zelo, excesso de vontade, excesso de amor, indo embora... Assim... Como um barquinho de papel num grande rio calmo.... Vai indo assim... Devagarinho... Aos pouquinhos... Se perdendo no infinito do horizonte... Até que não se consiga mais nem ver o borrão da existência daquele pequeno barco, daquele sentimento imenso que um dia já foi presente em mim, que me consumia e me alimentava... Que me fazia crer que nada disso um dia acabaria.
Mas acabou!
Chegamos ao fim!
Agora estamos naquele ponto que o silêncio impera, que não importa mais quem tá certo ou quem tá errado, se foi a falta ou o excesso...
As amarras são apenas racionais, os acordos são calados. Não precisa dizer pro outro que acabou, todos já sabem...
Agora só nos resta esperar os acordos se findarem, as dívidas se quitarem, as mudanças acontecerem e aguardar o melhor momento pra voltar a ser o indivíduo. Aquele novo ser, transformado por mais essa relação que chegou ao fim.
E torcer que o tenha sobrado de mim, seja alguém que eu goste de ser, alguém que me traga tudo o que me faltou à dois!
E assim seguimos, até o dia do ponto final!
FIM
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